sábado, 22 de setembro de 2012

Bookaholic

Há alturas da nossa vida em que damos por nós a devorar livros. Oito em seis meses, sendo que até ao final do mês tenho mais dois na mesinha de cabeceira. Chama-se a isto demasiado tempo livre!!! O pior é que pensava que iria ficar cansada num ápice, mas enganei-me. Tempo livre aos molhos para dar e vender.
Graças ao meu guru literário nestes últimos meses descobri e apaixonei-me pela América sulista de Flannery O'Connor, pela ironia de Saramago e as histórias com finais tristes de Murakami. Varri 500 páginas da vida de Fidel Castro e numa tarde terminei um livro sobre anorexia.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Viagem pelas cores de Gauguin e Van Gogh

Amanhã começam as minhas mini-férias, assim que daqui não vou sem deixar uma última sugestão. Dirigida a quem gosta de arte, a quem pensa que não gosta, a quem até sente curiosidade, mas não sabe bem e a quem planeia passar a tarde inteira no facebook.
O destino é Les Beaux de Provence e integra o roteiro das Mais Belas aldeias de França. A essa aldeia, que mais parece saída de um desses jogos de estratégia medievais, dedicarei um post mais avante.

Mas agora "Gauguin, Van Gogh, les peintres de la couleur". O nome de uma exposição única que decorre num local pouco usual, uma pedreira abandonada a cinco minutos a pé de Les Beaux.
O espaço composto por imponentes colunas, outrora talhadas por homens de fato de macaco e  hoje grafitadas com juras de amor, está transformado numa galeria de arte até Janeiro do próximo ano. Um labirinto onde são projectadas as grandes obras destes pintores, dois amigos, que muito se inspiraram na paisagem provençal. Uma natureza morta que ganha vida com recurso às mais sofisticadas técnicas de projeçao e a uma refinada seleção musical.


P.S - Faz algum frio no interior, portanto, não se espantem de entrarem lá a suar e saírem a bater o dente

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A magia da antiguidade

Fugindo do mistral que começa a dar sinais de vida e continuando no encalço romano, a próxima paragem leva-nos às verdejantes margens da Pont du Gard. Sob o rio Gardon, a ponte integrava um dos mais maiores e importantes aquedutos da Europa, mas, hoje só ela permanece intacta.

E é deste encontro entre a natureza e a arquitectura/engenharia romana que encontro um dos locais mais tranquilos em tempo de veraneio. Aqui os turistas não abundam e há sempre espaço nas espreguiçadeiras de madeira, depois de um mergulho nas águas calmas do Gardon. 

Na travessia da ponte é impossível não se sentir esmagada pelos corpulentos arcos que unem as duas margens do rio. Já quando o sol se põe, a ponte ganha uma nova cor, ou neste caso mil. É que nos meses de Junho, Julho e Agosto, a ponte é envolvida num jogo de luzes que atrai os olhares e objectivas dos visitantes. Só ficou a faltar uma banda sonora, de preferência Ennio Morricone .




domingo, 2 de setembro de 2012

"A mais bela muralha" de Orange

As civilizações romanas e gregas sempre causaram um grande fascínio ao comum dos mortais, que em pleno século XXI se admira ainda com tão grandiosas obras. Parece ser o caso de Orange, que para mim não passava de mais uma cidade a caminho de Nîmes e não muito afastada de Avignon. Pois enganei-me desde o momento em que pisei o Teatro Antigo de Orange.

É conhecido como sendo um dos mais bem preservados do mundo, apresentando várias particularidades. A que salta mais à vista é o telhado de madeira, que cobria praticamente todo o recinto, mas que devido a um grande incêndio e à deterioração da fachada, obrigou à reconstrução da cobertura que agora apresenta apenas uma meia lua. Depois há a sua fachada imponente que era ornamentada por cerca de 70 colunas. Hoje restam poucas e a figura central que se crê seja do imperador Augusto, pode ter sido anteriormente a de Apolo, o deus do sol. Roma tinha o seu repositório de estátuas e por vezes bastava só que a cabeça, amovível, fosse substituída por uma diferente. E eis um novo imperador ou deus, conforme a necessidade!

O Teatro de Orange serviu de refúgio, foi prisão e mercado, hoje e passados mais de dois mil anos só as três primeiras bancadas se mantém originais. Era aí que se sentavam os poderosos, estando as bancadas superiores reservadas aos escravos. Mas todos, sem excepção, tinham acesso à cultura gratuitamente.

Sentada na imensidão de bancadas brancas fico a imaginar a multidão em delírio e só os 35 graus me fazem voltar às grutas do teatro, onde a temperatura é espantosamente baixa e eu ganho energias para continuar a visita.

O audio-guide, disponível também em português,é uma peça fundamental. Só assim é possível termos uma ideia tão clara de como era o Teatro de Orange e das suas gentes há muitos, muitos anos atrás.








sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Calanques de Cassis, o paraíso existe

Há duas formas de chegar ao paraíso. Para os amantes da caminhada é só seguirem as setas, descendo um pequeno desfiladeiro que vos levará a Port Miou. Do porto meia-hora a pé até à primeira calanque, mas por favor, munidos de sapatilhas que não escorreguem! Os flip-flops podem neste dia ficar em casa. A caminhada é feita por um caminho tortuoso, mas que valerá o esforço. Palavra de quem já fez este percurso quatro vezes!!! O cheiro a pinheiros e o som dos megafones dos mini-cruzeiros marcam também esta paisagem, que a nossos olhos parece ainda intocável.

Se pensam que a caminhada parece tarefa árdua em dias de muito calor, não pensem que o kayake vai deslizar sozinho nas águas cristalinas. Pelo contrário, manobrar um kayake requer força de braços e está claro, alguma coordenação. Por isso, se alugarem um kayake de três lugares reservem o lugar de pendura para quem não possua tais qualidades.

Conhecendo ou não as leis da navegação, o importante é não se afastarem mais de 600 metros da costa, até porque é lá que se situa o nosso paraíso azul. Não descurando a beleza da primeira calanque, a segunda deixa-nos em silêncio contemplativo.

Demorem-se na água salgada e deixem-se flutuar neste refúgio natural inaudito...
 








quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Zenitar pela Provence


Sempre gostei de fotografia, mais de admirar do que tirar. Há poucos anos descobri a Zenit através de um amigo, o mesmo que me fez chegar às mãos o modelo soviético. Foi este verão e a primeira tentativa não correu nada mal (vá, com algumas aulas à distância). Para quem não sabia o que era a sunny 16 rule e um fotómetro, saí-me cá uma fotografa amadora com um bocadinho mais de classe. Assim, partilho convosco aquele que foi o primeiro resultado com zenit em punho. O objectivo eram os campos de lavanda de  Abbaye de Senanque, mas a vila de Gordes é igualmente encantadora e romântica. Uh là, là!

Penso que a melhor forma de chegarem à Abadia é mesmo de carro e deixem as janelas bem abertas para se deixarem inebriar pelo cheiro da lavanda. As plantações não são as de perder de vista, como aparecem nos postais, mas este é o cenário mais conhecido. Por isso há uma certa competição fotográfica no local só partilhada pelas abelhas que ali vêm buscar o seu néctar. Sim, porque o europeu e americano está cada vez mais parecido com o chinês/japonês.

Em Gordes, deixem-se passear pelas ruas deste vilarejo tão autêntico perdido nas planícies de Vaucluse...e se forem amantes de chapéus procurem no centro a loja que vende Panamás 100 % autênticos.

P.S -  Just in case levem sempre uma máquina digital de reforço.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Nice/Saint-Paul de Vence




A minha passagem por Nice foi coisa de algumas horas. A minha sugestão é uma volta pela cidade-velha, mas mesmo obrigatória é a subida até à Colline du Château onde terão uma vista privilegiada sobre a Baía de Nice. Ah! Já percebi porque apelidam esta região de "Cote D'Azur"! A água, azul-turquesa, tem um efeito magnético.Eu gostava de fazer comparações entre a cor da água de Nova Caledónia ou Seychelles, mas por agora fico-me pelo sul de França e sem hotel de cinco estrelas.
 


A poucos quilómetros de Nice descobri outras villages circundantes que se revelaram bem interessantes, como foi o caso de Saint-Paul de Vence. Um burgo medieval que tem a particularidade de acolher dezenas de galerias e próximo a Fundação Maeght. É o destino ideal para o final de tarde, bisbilhotando os trabalhos dos artistas e artesãos, que trabalham ali mesmo de porta aberta. Mais tarde pelas minhas viagens na Provence pude comprovar que há outras vilas algo semelhantes, embora Saint-Paul de Vence seja por excelência o burgo dos artistas franceses. Vá, uma espécie de Miguel Bombarda em ponto grande, feita de pequenos pormenores que saltam à vista em cada ruela. Eu fiquei apaixonada, apesar de já em Maio os turistas serem mais que muitos e eu só mais uma.





Let's start

Na Provence faz sol mais 300 dias por ano, sobram 65 e este é um deles. Por isso, e sem a possibilidade de ir à praia ou uma qualquer esplanada decidi ficar por casa a tentar reanimar este blog. Se bem que eu acho que já vai tarde, mas não custa tentar. E aqui na Provence o que não falta é tempo. Portanto, recomecemos!

terça-feira, 26 de julho de 2011

What a wonderful day


Verona pela primeira vez. Viagem de comboio sonolenta e só interrompida pelo entusiasmo das crianças em passeio de escola. Sim, imaginem italianos em ponto pequeno! Ora nem mais.

Verona é uma daquelas cidades em que se respira antiguidade por todo lado, era de esperar de uma cidade fundada 300 A.C. A Arena é uma das mais antigas, a terceira para ser mais precisa. Mas como seria inevitável há um ponto obrigatório na nossa tour – a Casa de Julieta. Estes italianos não andam a dormir, mas quem mandou Shakespeare citar o nome da cidade donde nunca esteve? É “fake”, mas não deixa de ser um espaço mágico, não tanto pela famosa varanda, mas pelas milhares e milhares e milhares de mensagens deixadas nas paredes. Todos precisamos de acreditar em algo, especialmente quando estamos apaixonados. Precisamos de acreditar que poderá durar para sempre tal como nos romances. Só não percebi porque raio temos de segurar na mama da Julieta!?

Mas os pormenores místicos não ficam por aqui. Um corno que pende na praça onde nasceu a cidade. A lenda diz que o corno cairá quando o homem mais sábio e a mulher mais fiel por lá passarem. Eu bem tentei três vezes…

Imperdível é uma subida ao Castelo de S. Pietro com vista privilegiada sobre o rio Adige e a cidade. Acabem o dia com um prosecco gelado e sejam vagarosos a sentir a cidade. Eu fui uma sortuda porque tive o guia perfeito, incluindo o sorriso.

A minha banda sonora para Verona é »Harvest Moon" Neil Young.

domingo, 24 de julho de 2011

Cliché number 1

"In the end, I've come to believe in something I call "The Physics of the Quest." A force in nature governed by laws as real as the laws of gravity. The rule of Quest Physics goes something like this: If you're brave enough to leave behind everything familiar and comforting, which can be anything from your house to bitter, old resentments, and set out on a truth-seeking journey, either externally or internally, and if you are truly willing to regard everything that happens to you on that journey as a clue and if you accept everyone you meet along the way as a teacher and if you are prepared, most of all, to face and forgive some very difficult realities about yourself, then the truth will not be withheld from you."

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sou boa é a comer



Irremediavelmente incompleta...Média de um gelado e meio por dia. Straciatella, pistacchio, fiori de latte, tiramisù and so on...Exercício físico=0,1111111111111

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Conversas de amigas


- Então já conheceste alguém muito interessante por aí?
- Não. Ninguém muito interessante.
- Começo achar que a cena dos gajos italianos é mito, gaja! E gajas?
- Lol. Também não. Ainda não jogo nesse campeonato...

Imediatamente lembrei-me de um filme italiano que vi esta semana repleto de refinadas belezas masculinas. Para as(os) curiosas(os) chama-se Saturno Contro e fala dessa coisa tão bonita que é a amizade sincera entre um grupo de amigos. Tutti insieme!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"POPalhada"



O Verão requer músicas estúpidas e fáceis de ouvir para não cansar muito. Por isso desculpem lá e levem com esta senhora em cima. O tema faz parte de uma campanha contra a obesidade infantil nos EUA. O que não mata engorda e vai daí esta estação vou ganhar uns quilinhos de pop.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"Coração não é tão simples quanto pensa"

Não sei o que dizer de pessoas que são consecutivamente rejeitadas, mas que no entanto encontram sempre forças para continuarem a ser rejeitadas. Uma e outra vez. Tantas que chega a dar pena. Quantos sinais serão precisos para demonstrar que o nosso interesse não passa para além da linha dos afectos? Alguém disse um dia que com idade vamos ganhando imunidade a esse tipo de comportamentos. O meu guru nestas coisas costuma ser o Rui Veloso com aquela letra que diz: "Não se alma alguém que não ouve a mesma canção". Mas mesmo que sintonizados na mesma frequência...«coração não é tão simples quanto pensa»...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Fascinação

Faz tempo que não sinto fascinação por alguém e por isso há no ar um misto de nostalgia e tristeza.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

The W.O.R.L.D. is full of M.A.G.I.C.

Os dois lados da moeda

Quando se muda radicalmente de vida há que aprender a lidar com o que se ganha e com o que se perde. Ganha-se muito a curto prazo, mas perde-se a longo prazo. Entristece-me o facto de algumas amizades, algumas ainda a florescerem, fiquem pelo caminho, mas acho que será inevitável. O velho ditado "Longe da vista, longe do coração" também se aplica aos amigos.

sábado, 18 de junho de 2011

Guilty pleasure



Tomas:I must go.
Sabina∙:Don't you ever spend the night at the woman's place?
Tomas:Never!
Sabina:What about when the woman's at your place?
Tomas:I tell her I have insomnia... anything. Besides, I have a very narrow bed.
Sabina:Are you afraid of women, Doctor?
Tomas:Of course.

Fidelidade

Posso mudar de emprego, de cidade e até de país, posso interessar-me e desinteressar-me por pessoas, posso virar as costas ao passado e começar tudo de novo, mas serei eternamente fiel ao cinema!

sexta-feira, 1 de abril de 2011